Será que vitamina trata queda de cabelo?

Escrito por Instituto Bárbara Helen Revisão médica Dra. Bárbara Helen · CRM 160220/SP Publicado em

Será que vitamina trata queda de cabelo?

Vitamina cura queda de cabelo? Entenda quando a falta de ferro, vitamina D ou zinco pesa e
por que suplementar sem diagnóstico não resolve.

Agendar consulta médicaVitaminas e queda de cabelo: funciona mesmo?

Poucas perguntas aparecem tanto na consulta quanto esta: “Doutora, tem uma vitamina boa
pra fazer o cabelo parar de cair?” A vontade é compreensível. Só que a resposta honesta
não cabe numa cápsula. Vitamina pode, sim, fazer diferença em algumas situações bem
específicas e não faz diferença nenhuma na maioria das outras. Vamos separar o que é real
do que é propaganda.

Quando a falta de nutriente realmente
causa queda

Vitaminas e queda de cabelo: funciona mesmo?

Existe um fundo real nessa história. Algumas carências no corpo empurram o fio para a fase
de repouso antes da hora, e o resultado é aquela queda difusa, o cabelo caindo por toda a
cabeça, no travesseiro e no ralo do banho. Os nomes que mais aparecem nos exames são:

• Ferro (medido pela ferritina, o “estoque” de ferro do corpo). É a carência mais associada
à queda difusa, principalmente em mulheres que menstruam bastante, doaram sangue
ou têm alimentação pobre em ferro. Vale um aviso: a ferritina sobe de forma enganosa
quando há inflamação no corpo, então o número precisa ser lido junto com o resto do
quadro, não isolado.

• Vitamina D. Participa do ciclo do fio, e a falta é mais comum do que se imagina. E tem
um detalhe importante: para o cabelo, o nível costuma precisar estar mais alto do que
muita gente pensa — valores de 20 a 30, que parecem “normais” no exame, para o fio já
são baixos.

• Zinco. Mineral ligado à saúde do folículo (a “raiz” de onde o fio nasce). A carência é bem
comum e pesa na queda.

• Vitamina B12. Importante para a produção das células que dão origem ao fio. A
deficiência é muito comum — principalmente em quem come pouca proteína animal, é
vegetariano ou vegano, ou tem dificuldade de absorção — e pode contribuir para a
queda.

Há ainda um gatilho que muita gente não conecta: dietas muito restritivas. Cortes radicais,
jejuns longos, perda de peso rápida ou reeducação alimentar mal orientada podem deixar o
corpo sem matéria-prima. Nessas horas, o organismo prioriza órgãos vitais e o cabelo entra
na fila do fim. A queda costuma aparecer dois a três meses depois, o que dificulta ligar uma
coisa à outra.

Nesses casos, repor faz diferença. Mas repare no detalhe: faz diferença porque havia uma
falta comprovada. É corrigir um buraco, não turbinar um cabelo saudável.

O mito: "tomar vitamina faz o cabelo
crescer mais

Aqui está o ponto que a indústria de suplementos não gosta de contar. Se não há falta,
repor não acelera nada. O corpo aproveita o que precisa e descarta o excesso, boa parte
pela urina. Você não vai fazer o fio crescer mais rápido nem mais forte tomando algo que já
tinha em quantidade suficiente. O cabelo tem um ritmo próprio, e nenhuma cápsula
“empurra” esse relógio quando ele já está funcionando.

Pior: em alguns casos, o excesso atrapalha. Dois exemplos ajudam a entender.

Biotina: a queridinha que engana o exame

A biotina (vitamina B7) virou sinônimo de “vitamina do cabelo”. A verdade é que ela só ajuda
quem tem uma deficiência real dela, algo raro. Para quase todo mundo, tomar biotina não
muda o cabelo. E tem um problema sério que pouca gente conhece: doses altas de biotina,
comuns nesses suplementos de beleza, podem falsear exames de sangue.

Ela consegue distorcer resultados de tireoide (fazendo parecer um problema que não
existe) e até de troponina, um exame usado para detectar infarto. Ou seja, além de não
fazer o cabelo crescer, pode confundir um diagnóstico importante. Por isso, se você toma
biotina, avise sempre o médico antes de qualquer coleta de sangue.

Vitamina A em excesso: o tiro pela culatra

Repare no fio da meada: em todos os cenários acima, a pergunta certa nunca foi “qual
vitamina tomar?” “, e sim “'está faltando alguma coisa e o quê?”. A queda de cabelo tem
muitas causas, alterações hormonais, tireoide, questões genéticas, estresse, pós-parto,
pós-infecção, e a carência de nutriente é só uma delas. Muita gente que cai não tem falta
nenhuma. Nesses casos, o suplemento não resolve o que está por trás.

Sair tomando vitamina por conta própria costuma dar em três coisas: dinheiro gasto, tempo
perdido enquanto a causa real segue agindo, e às vezes um exame confundido ou um
excesso que atrapalha. O caminho seguro é o contrário: primeiro entender o que está
acontecendo, depois tratar.

O caminho certo

Na prática, isso significa uma consulta médica em que o profissional escuta sua história,
examina o couro cabeludo e pede os exames de sangue certos para ver o que falta, e o
que não falta. Quando aparece uma carência real, a reposição entra com dose e tempo
definidos, e faz sentido. Quando não aparece, você economiza a cápsula e trata o que
realmente está causando a queda.

Não dá para prometer resultado, e desconfie de quem promete. Dá, sim, para prometer
clareza: descobrir se a vitamina é parte da sua história ou só um mito que te fez perder
tempo.

Se o seu cabelo anda caindo mais do que o normal e você está na dúvida sobre
suplementos, essa é exatamente a conversa que vale a pena ter com calma. No Instituto
Bárbara Helen, na Vila Olímpia, você pode marcar uma consulta médica para investigar a
causa com método, em vez de apostar no escuro. Seu cabelo merece um diagnóstico, não
um palpite.

Fontes

  • Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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