
Escrito por Instituto Bárbara Helen Revisão médica Dra. Bárbara Helen · CRM 160220/SP Publicado em
Finasterida causa mesmo disfunção erétil?
O que diz a ciência?
Finasterida causa disfunção erétil? Veja o que os estudos mostram, o papel do medo (efeito
nocebo) e o que fazer se acontecer com você.

Se você pesquisou sobre finasterida para tratar a queda de cabelo, provavelmente esbarrou
no medo que aparece mais do que qualquer outro: “esse remédio causa disfunção erétil, a
disfunção erétil?”. É uma preocupação legítima, e você merece uma resposta honesta —
nem alarmista, nem que finge que o assunto não existe. Vamos olhar juntos para o que os
estudos realmente mostram.
Finasterida e disfunção erétil: o que a
ciência de fato encontrou

A finasterida é um dos medicamentos mais estudados para a queda de cabelo de padrão
masculino. Isso é uma boa notícia, porque significa que não precisamos adivinhar: existem
grandes estudos comparando quem tomou o medicamento com quem tomou um
comprimido sem princípio ativo (o chamado placebo).
E o que esses estudos mostram? Que a diferença entre os dois grupos é pequena. Em um
dos maiores estudos, no primeiro ano de uso cerca de 15% dos homens que tomaram
finasterida relataram algum efeito sexual (queda do desejo, dificuldade de ereção ou
mudança na ejaculação) — mas cerca de 7% dos homens que tomaram apenas placebo
relataram exatamente os mesmos sintomas.
Olhe de novo para esse número: mais ou menos metade das queixas apareceu em pessoas
que não tomaram remédio nenhum. Isso não quer dizer que o efeito não exista — ele existe.
Quer dizer que a vida, o estresse, a idade e a própria expectativa também produzem esses
sintomas, com ou sem medicamento. E, no mesmo estudo, a partir do segundo ano a
diferença entre os grupos praticamente desaparecia.
O peso do medo: o efeito nocebo
Existe um fenômeno bem documentado e fascinante chamado efeito nocebo. Você
provavelmente já ouviu falar do efeito placebo — quando a expectativa de melhora ajuda o
corpo a melhorar. O nocebo é o contrário: quando a expectativa de um efeito ruim ajuda
esse efeito ruim a aparecer.
Num estudo que ficou conhecido, homens foram divididos em dois grupos que tomaram o
mesmo remédio. A um grupo foi explicado em detalhes que ele poderia causar problemas
sexuais; ao outro, não. No grupo que foi muito avisado, cerca de 44% relataram alguma
dificuldade sexual. No grupo que não recebeu esse aviso detalhado, o número foi de
aproximadamente 15%. Mesmo remédio, mesma dose — a diferença estava na expectativa.
Isso não significa que quem sente o sintoma está “inventando”. O corpo e a mente não são
compartimentos separados: a ansiedade e a preocupação têm efeitos físicos reais. Sentir é
sentir. O ponto é outro — parte do que se atribui ao remédio pode vir do medo dele.
Desejo, ereção e ejaculação não são a
mesma coisa
Muita confusão nasce de juntar coisas diferentes numa palavra só. Vale separar:
• Libido é o desejo, a vontade — quanto o sexo aparece na sua cabeça.
• Ereção é a resposta física, o pênis ficar rígido quando há estímulo.
• Ejaculação é o momento e o volume da saída do sêmen.
São mecanismos distintos, controlados por caminhos diferentes do corpo. Uma pessoa
pode ter desejo normal e uma dificuldade pontual de ereção por cansaço, por exemplo.
Quando você consegue nomear com precisão o que está acontecendo, fica muito mais
fácil para o médico entender a causa — e ajudar.
E se o sintoma aparecer: ele costuma
passar?
Na grande maioria dos casos, sim. Quando um efeito sexual aparece com a finasterida, ele
tende a sumir ao ajustar a dose ou ao parar o medicamento. É um efeito que, para a maior
parte das pessoas, é reversível.
Existe, porém, um grupo menor de homens que relata sintomas que persistem mesmo
depois de parar o remédio — é o que se convencionou chamar de “síndrome pós-
finasterida”. • É importante ser honesto aqui: esse é um tema ainda em aberto na medicina.
Não há consenso sobre o quanto ela é frequente, nem sobre seus mecanismos, e ela é
considerada rara. Levamos esses relatos a sério, sem transformá-los em regra — porque,
para a imensa maioria dos pacientes, não é essa a experiência.
Cuidado com o "foi o remédio" automático
A dificuldade de ereção é comum e tem muitas causas que nada têm a ver com a
finasterida. Antes de apontar o dedo para o comprimido, vale lembrar que também
influenciam:
• Ansiedade e estresse — inclusive a própria preocupação com o medicamento;
• Noites mal dormidas e cansaço acumulado;
• Consumo de álcool;
• Saúde geral: pressão alta, colesterol, diabetes, sedentarismo;
• Momento de vida, relacionamento, cabeça cheia.
Isso não é para desviar a culpa do remédio — é para que você não deixe de investigar
outras causas que talvez sejam mais fáceis de resolver.
O que fazer se acontecer com você
A orientação mais importante é simples: não pare o remédio por conta própria e converse
com quem prescreveu. Interromper de repente, sozinho, atrapalha o tratamento do cabelo e
ainda dificulta entender o que realmente causou o sintoma.
Existem caminhos, e eles são individuais:
• Ajustar a dose para a menor quantidade que ainda funciona;
• Usar em dias alternados, em vez de todos os dias;
• Considerar a versão aplicada no couro cabeludo (finasterida tópica), que age mais
localmente;
• Rever a estratégia inteira e discutir outras opções para a sua queda.
Nada disso se decide sozinho, lendo na internet. A finasterida é um medicamento de
prescrição, e a decisão de usá-la — de continuar, ajustar ou trocar — é sempre sua, feita
junto com o médico e com acompanhamento.
Uma conversa honesta vale mais que um
site
O melhor antídoto para o medo é informação clara e um plano de tratamento pensado para
você, com quem conhece o seu histórico. No Instituto Bárbara Helen, a gente entende
muito do assunto, mas gosta de explicar de um jeito simples — e de tirar suas dúvidas
olhando no olho, sem promessas e sem pressa. Se a queda de cabelo está te
incomodando e você quer entender suas opções com segurança, agende uma consulta
médica com a gente. Decidir com calma, e bem informado, já é meio caminho.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Dermatologia.
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